Os argumentos utilizados para convencer o Ibama a não emitir o licenciamento para a exploração da Margem Equatorial foram elaborados de forma enviesada. A opinião é do economista, professor e especialista em geopolítica, Marcelo Simas.

Alguns deles foram a Política Nacional sobre Mudança do Clima, o Acordo de Paris e o risco diplomático, por conta da proximidade dos blocos com outros países.

“Como qualquer política pública, você tem uma série de interpretações. Não se pode olhar a PNMC apenas pelo viés ambiental. A PNMC foi elaborada visando o desenvolvimento econômico e social, harmonizando o desenvolvimento sustentável com o crescimento econômico, a erradicação da pobreza e a redução das desigualdades sociais”, observa Simas, que participou do curso “Margem Equatorial: Mitos e Verdades” promovido pela Associação Brasileira de Geólogos de Petróleo (ABGP) para jornalistas, no dia 13 de dezembro.

No que diz respeito ao Acordo de Paris, o economista aponta que a grande maioria das emissões no Brasil são resultado do desmatamento e da agropecuária, representando 75% das emissões no país enquanto que no mundo é o oposto, ou seja, 75% das emissões são relacionadas ao setor energético. Assim, se o desmatamento for zerado o Brasil reduzirá quase a metade suas emissões totais.

“As emissões do setor de energia, incluindo petróleo e gás, respondem por menos de 1/4 das emissões do país. Além disso, a Petrobras já produz petróleo com uma baixíssima intensidade de carbono e vem anunciando investimentos para a descarbonização de suas operações. O Brasil vai atingir o net zero produzindo petróleo”, reforça.

O especialista em geopolítica também descarta o risco diplomático, por conta da proximidade dos blocos com outros países.

“A Petrobras já elaborou os planos de emergência individual e proteção à fauna”, destaca.

Para Simas, a questão central da margem equatorial é geopolítica, o impedimento das campanhas de exploração e produção para impedir o desenvolvimento regional do país.

“Esses dois documentos são utilizados para sensibilizar os destinatários de uma nota técnica, tentando demonstrar que a exploração na Margem Equatorial iria fragilizar o país frente à comunidade internacional. Mas o que fragilizou o país, nesse sentido, foi o desmatamento”, afirma, lembrando que, há 15 anos, o Brasil debatia se iria ou não explorar as reservas do pré-sal, questionando a viabilidade técnica e econômica e os possíveis impactos ambientais da exploração na região.

“Alguém imagina o Brasil, hoje, sem o pré-sal?”, questiona.

O Blog do Desenvolvimento vem publicando uma série especial sobre a Margem Equatorial. Confira aqui as reportagens:

Maranhão: um novo pré-sal brasileiro

Margem Equatorial é hotspot da exploração de petróleo no mundo, afirma Kristian Johansen, CEO Global da TGS

“Margem Equatorial é oportunidade para o Brasil”, afirma presidente da Shell

“Margem Equatorial é oportunidade para reduzir desigualdades, promover a industrialização e diversificar a matriz econômica do Maranhão”

Royalties e participações especiais da Margem Equatorial podem chegar a US$ 150 bilhões

“Margem Equatorial é oportunidade para o Brasil avançar, de forma definitiva, com a questão do licenciamento ambiental”

“Petróleo da Margem Equatorial será fundamental para recompor reservas do país”, afirma presidente da ABGP

Previsão de investimentos na Margem Equatorial, por si só, não sinaliza avanço na exploração. “O que sinaliza avanço é perfuração”, afirma diretora geral da Onip

Bacias da Margem Equatorial seriam bacias substitutas das bacias de Santos e Campos

“Para que os projetos na Margem Equatorial avancem é preciso revisitar a portaria que criou as AAAS”, afirma advogado

Projetos de longo prazo e de cunho regional como os da Margem Equatorial deveriam acontecer de forma independente dos processos de licenciamento

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