Os investimentos anunciados pela Petrobras para a exploração da Margem Equatorial Brasileira mostram que a estatal entende a importância da região para garantir a manutenção do nível das reservas da companhia.
A opinião é de Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE).
“A Petrobras sabe que o pré-sal, hoje responsável por 80% da produção total de petróleo no Brasil, vai chegar em 2030 com declínio da produção. As bacias da Margem Equatorial seriam as bacias substitutas às bacias de Santos e Campos, para manter o nível de reservas da petroleira “, explica o economista, em entrevista exclusiva para o Blog do Desenvolvimento.
Os investimentos mostram ainda que a Petrobras espera resolver o impasse que hoje existe com o Ibama. “No final, o bom senso vai prevalecer e que o Ibama vai ceder as licenças”, avalia.
Para Pires, o ritmo está lento, lembrando que a Margem Equatorial foi a estrela da 11ª rodada de licitações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), em 2013, sendo o maior bônus de assinatura pago ao governo no leilão por um consórcio formado pela Total (40%), Petrobras (30%) e BP (30%), de R$ 345,9 milhões.
“De lá pra cá, BP e Total abandonaram o consórcio com a Petrobras, que não devolveu os blocos porque é uma empresa brasileira. Com isso, o país perde investimentos, porque se não for possível explorar aqui, as petroleiras vão explorar em outros lugares”, observa.
De acordo com o economista, desde a pandemia o petróleo voltou a ter protagonismo no setor de energia global, mas jogar o prazo para frente é enfrentar uma possível redução da sua participação na matriz energética mundial.
“Os estudos indicam reservas de mais de 10 bilhões de barris recuperáveis, um volume muito próximo do que se tem no pré-sal. O Brasil não deve e não pode abrir mão das reservas e da receita do petróleo da margem equatorial”, conclui.




