A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) aprovou, nesta quinta-feira (25/7) o estudo “Diagnóstico de Descarbonização, Infraestrutura e aplicações do Hidrogênio nos Portos “, feito em parceria com o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) e com a Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ).
O levantamento teve como objetivo verificar como as infraestruturas portuárias brasileiras estão se preparando para o recebimento de embarcações com combustível verde, produção de energia eólica, eletrificação de equipamentos portuários e sistemas Onshore Power Supply (OPS).
De acordo com a Antaq, com esse diagnóstico será possível estabelecer orientações e diretrizes para reduzir as emissões de gases de efeito estufa por navios em portos e viabilizar a descarbonização da infraestrutura portuária e dos serviços portuários prestados.
O estudo apontou que a maioria dos portos públicos e os terminais portuários privados e públicos têm dados incipientes sobre emissões de gases do efeito estufa e metas de redução, além de baixo preparo para receber embarcações que se utilizam de combustíveis renováveis.
“O dado positivo é que agora temos um diagnóstico. A partir daí, vamos incentivar para que possamos ter a políticas adequadas para o tema”, afirmou Caio Farias, diretor da Antaq, à Agência iNFRA.
De acordo com o levantamento, que encaminhou perguntas a todos os terminais e autoridades portuárias e teve resposta de 87% dos portos e 31% dos terminais, só 19% das autoridades portuárias responderam ter um inventário de emissões de GEE (Gases do Efeito Estufa). No caso dos terminais, o número sobe a 65%.
No entanto, apenas 7% das autoridades têm metas de redução. Nos terminais, o número é de 26%.
De acordo com o diretor da Antaq, a primeira proposta do estudo é modificar os pesos do IDA (Índice de Desenvolvimento Ambiental) para que seja incentivado que os portos e terminais façam os inventários, que segundo ele é o passo inicial para um programa de descarbonização.
“Sem inventário, não tem política. E não pode ser cada um com seu padrão. Vamos tentar colocar no IDA um padrão para que possamos medir”, explicou o diretor.
Segundo ele, a etapa 3 do programa agora é fazer estudo de caso, não mais com pesquisas com resposta, mas com avaliação in loco, em quatro portos brasileiros: Santos (SP), Pecém (CE), Açu (RJ) e Paranaguá (PR).
O “Diagnóstico de Descarbonização, Infraestrutura e aplicações do Hidrogênio nos Portos” faz parte de Acordo de Cooperação Técnica (ACT) assinado pela Antaq com a GIZ em setembro de 2023 para promover a descarbonização no setor. Esse é o segundo de três eixos definidos.
O Eixo 1, que foi finalizado em 2021, tratou da revisão da experiência internacional, análise de documentos, artigos técnicos e científicos e estudos sobre transição energética e descarbonização no transporte marítimo e nos portos.
O Eixo 2, que foi aprovado na última quinta, fez um diagnóstico da descarbonização nos portos.
Por fim, o terceiro eixo, que será conduzido pela ANTAQ, vai apresentar um estudo de caso por meio de levantamento de campo e entrevista semiestruturada com portos e entidades do setor portuário.




