O mundo continuará produzindo petróleo. A afirmação é ponto pacífico entre os especialistas que participaram do evento “Transição Energética Justa, Inclusiva e Equilibrada: Caminhos para o setor de óleo e gás viabilizar a nova economia verde”, nesta quarta-feira (24/4), em Brasília.

“Nem a Noruega, que é um país reconhecido mundialmente pelo padrão de descarbonização, está parando de abrir novos campos de petróleo”, observou a diretora de Transição Energética e Mudança do Clima do BNDES, Luciana Costa, lembrando que o país utilizou a renda de petróleo para gerar desenvolvimento social e aumentar o seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), o segundo melhor do mundo.

A diretora de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis da EPE, Heloísa Borges, explicou como o país pode conciliar zero emissões líquidas de gases do efeito estufa com a manutenção e mesmo a ampliação da produção de energéticos fósseis.

“Cada país tem um orçamento de emissões para que entregue sua neutralidade em 2050. Considerando as Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC, em inglês), o Brasil consegue zerar suas emissões mesmo produzindo de quatro a cinco milhões de barris de petróleo por dia. Como o óleo brasileiro tem menor pegada de carbono, conseguimos ser mais competitivos não só em relação a custo, mas também em termos de emissões”, explicou, durante debate mediado pela diretora técnica e presidente interina da PPSA, Tabita Loureiro, que ressaltou a importância do país manter os investimentos no setor de óleo e gás, garantindo a segurança energética do Brasil.

“A indústria tem trabalhado para continuar descarbonizando suas atividades e o óleo do Brasil, em particular do pré-sal, é diferenciado, conhecido por ter uma tríplice resiliência (técnica, econômica e ambiental). Se a gente continuar produzindo um óleo de tríplice resiliência existe espaço no inventário de emissões para a gente ser um importante fornecedor mundial de petróleo na transição energética, e ainda assim ser carbono neutro no Brasil”, afirmou.

Outro ponto abordado no debate foi a atratividade e retenção de talentos do setor. Para tratar desse tema, a conselheira eleita pelos trabalhadores da Petrobras, Rosângela Buzanelli, explicou como a tecnologia tem se tornado aliada para a otimização dos processos.

“Uma das atividades mais perigosas é o mergulho profundo saturado que a indústria do petróleo precisa fazer para garantir a manutenção e integridade das instalações. Recentemente, começamos a operar com robôs e inteligência artificial para realizar o serviço e os mergulhadores serão treinados para operar esses robôs. A tecnologia tem que servir a esse propósito: o benefício humano”, reforçou a conselheira da companhia.

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