A descoberta anunciada pela Petrobras na Bacia Potiguar pode indicar a existência de uma megareserva na Margem Equatorial.

Na avaliação do geólogo Pedro Zalán, fundador da Zag Consultoria, o anúncio feito pela estatal é importante, pois representa a primeira evidência de uma descoberta no mesmo tipo de reservatório presente em países como a Guiana e Suriname, além de Costa do Marfim e Gana, ambos na África.

—A descoberta é muito importante, pois é em reservatórios turbidíticos. A Petrobras não informou o tamanho, mas se a perfuração a 2.196 metros de profundidade mostrou petróleo na Bacia Potiguar, que está muito mais longe da Guiana, imagina o potencial ao lado da fronteira com a Guiana Francesa. O fato de ter alcançado uma profundidade tão grande pode indicar uma megareserva — diz Zalán, em entrevista publicada nesta quinta-feira (11/4), pelo jornal O Globo, que presta consultoria para empresas de sísmica da Europa.

A descoberta foi anunciada nesta terça-feira (9/4) pela Petrobras.

Segundo a estatal, o reservatório Anhangá é do tipo turbidítico de idade Albiana, formado por arenitos que foram depositados por correntes marítimas no fundo do oceano há milhões de anos, durante a separação dos continentes.

De acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), esse tipo de reservatório é verificado nas principais províncias petrolíferas do país, nas Bacias de Campos (Peregrino, Marlim, Albacora, Roncador, Barracuda e Marimbá), Santos (Merluza, Lagosta e Mexilhão) e Espírito Santo (Golfinho, Cangoá e Peroá).

“Campos turbiditicos podem ser bons reservatórios, pois possuem muito areia selecionada o que permite boa porosidade e permeabilidade e é onde o petróleo é armazenado”, explica o doutor em Geologia e Geofísica Marinha, e professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), Alberto Figueiredo.

Segundo Figueiredo, os depósitos de turbiditos são formados quando se tem sedimentos deslizando em alta velocidade da plataforma para oceano profundo.

“Como as areias tem maior densidade do que as lamas, as areias ‘correm’ na frente e se depositam primeiro e em seguida vem a lama que cobre as areias. As areias vão constituir os reservatórios e a lama que vem em cima é o capeamento ou selante do reservatório de forma que fica tudo ali contido”, explica.

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