“Dez anos depois da 11ª Rodada de Licitações de Blocos para Exploração e Produção de Petróleo e Gás Natural, é frustrante ver como algo que foi visto à época como o provável ‘day after’ do pré-sal simplesmente não ocorreu”. A afirmação é da ex-diretora-geral da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Magda Chambriard, à frente da agência, na época.

“Me assusta ver que a Total saiu do Brasil pela dificuldade de licenciamento da Foz e ninguém ‘a favor da abertura’ brigou por ela. Me assusta ver que a negativa agora põe em dúvida a capacidade da Petrobras de lidar com uma nova fronteira, com todo o sucesso tido até agora”, afirma, em entrevista exclusiva para o Blog do Desenvolvimento.

Realizada no dia 14 de maio de 2013, a 11ª Rodada é considerada um marco para a exploração de petróleo no Brasil, leiloando áreas para além da região Sudeste em 11 bacias sedimentares brasileiras: Barreirinhas, Ceará, Espírito Santo, Foz do Amazonas, Pará-Maranhão, Parnaíba, Pernambuco-Paraíba, Potiguar, Recôncavo, Sergipe-Alagoas e Tucano.

A seleção de áreas visou atender o interesse do Governo Federal em realizar rodadas de licitação para concessão de blocos em bacias de novas fronteiras com o objetivo de ampliar as reservas brasileiras, promover o conhecimento das bacias sedimentares e descentralizar o investimento exploratório no país.

A rodada teve um número recorde de empresas habilitadas: 64, das quais um total de 30 grupos saíram vencedores (18 estrangeiros e 12 nacionais) de 12 países diferentes.

“A 11ª rodada foi resultado de uma preocupação com a excessiva concentração de recursos no Sudeste. Teve o objetivo de promover alguma descentralização de recursos. Já se falava na Guiana como oportunidade exploratória e no potencial da Bacia da Foz do Amazonas, em águas ultra-profundas”, recorda.

Naquela época, segundo Chambriard, havia a preocupação, inclusive expressa nas autorizações de rodadas do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), de licitar áreas de Novas Fronteiras, a fim de buscar novas possibilidades de produção.

“Reconhecia-se que uma parte do investimento em E&P devesse se destinar a descortinar novas fronteiras, que são muitas no Brasil”, explica.

A Margem Equatorial, recorda, estava relegada, com algum esforço em Barreirinhas, no Maranhão, e a Guiana começava a dar sinais de seu potencial.

“Estudamos a Margem Equatorial e a Foz na ANP e acreditamos que haveria potencial a ser explorado lá. Ficamos contentes em ver que as empresas também acreditaram, pois foi lá que obtivemos o maior bônus de assinatura da rodada [o bônus de assinatura ofertado pelo consórcio formado pela Total, Petrobras e BP, que arrematou o bloco FZA-M-57, pagando R$ 345,9 milhões, o maior bônus pago por um único bloco na história dos leilões] “.

Pré-sal está chegando no seu pico

Segundo a ex-diretora-geral da ANP, como todo play, o pré-sal está chegando no seu pico.

“Tupi já está em declínio há pelo menos 2 ou 3 anos. Ao final do desenvolvimento de Búzios, creio que esse pico já será ameaçado. E qual será a alternativa da Petrobras e do Brasil sem um novo play? “, questiona, lembrando que o Brasil levou décadas para chegar ao Top 10 de produtores e exportadores mundiais de petróleo.

“Seria extremamente decepcionante chegar ao pico do pré-sal sem alternativa de compensação”, conclui.

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