Para Edilson Baldez, presidente da Federação das Indústrias do Estado do Maranhão (FIEMA), a história econômica do Maranhão tem mostrado que o estado tem se beneficiado de pequenos ciclos econômicos, de curta duração e poucos impactos irradiantes.
Se a década de 80 é marcada pelos grandes investimentos nos segmentos logístico e metalúrgico – áreas de projetos da então Vale do Rio Doce e da Alumar – com impactos imediatos no crescimento da produção industrial, das exportações e da arrecadação estadual, nas duas primeiras décadas de 2000 novos projetos oxigenaram a economia estadual. Dentre eles, a usina de pelotização da Vale, a chegada das industrias do cimento, celulose, papel e produtos de papel, a expansão do porto de Itaqui, a exploração de gás natural na região central do estado, a geração de energia eólica no nordeste maranhense e a retomada do projeto do Centro Espacial de Alcântara.
“Todos esses investimentos têm contribuído para o crescimento do PIB estadual a índices inclusive superiores aos do Nordeste e do Brasil”, afirma Baldez, em entrevista exclusiva para o Blog do Desenvolvimento. No entanto, “o Maranhão cresce, mas não se desenvolve”, acrescenta.
“Não há um setor industrial dinâmico e expansivo, fruto de uma política industrial que irradie efeitos para frente e para trás, com aproveitamento das potencialidades regionais ou locais e geradores de maior distribuição de renda, de modo a quebrar o ciclo de crescimento concentrado de renda e a forte dependência de transferências governamentais de renda”, avalia o presidente da Fiema.
Para Baldez, a exploração da Margem Equatorial representa uma nova janela de oportunidades para o Maranhão.
“A exploração de petróleo em nosso litoral terá reflexos socioeconômicos, como geração de empregos e renda, participação das empresas locais nessa nova cadeia de produção, aumento na arrecadação de tributos municipais e estaduais, além de recebimento de royalties por parte dos municípios e Estado. Enfim, com o advento dessa atividade, os benefícios poderão alcançar uma grade parcela da nossa população”, vislumbra.
Atendendo a convite da Fiema, o presidente da Petrobras, Jean-Paul Prates, estará no Maranhão participando de um evento onde se discutirão as potencialidades e oportunidades para o estado a partir da exploração da Margem Equatorial.
“Queremos sair do campo das possibilidades para o mundo concreto das realizações e o estado está se preparando para isso”, afirma, destacando que, a Fiema, por meio das redes SESI e SENAI, dispõe de infraestrutura, laboratórios e programas de capacitação prontos para atender todas as demandas desse mercado futuro.
“A exploração da Margem Equatorial, bem como de todas as outras fontes de energia limpa (eólica, solar, biomassa, hidrogênio verde) em que o Maranhão possui grande potencial, e, além disso, a implementação definitiva da Zona de Processamento de Exportação (ZPE) constituem-se, sem dúvida alguma, uma larga janela para o crescimento e diversificação do parque industrial do estado”, conclui.




