Há 18 anos, o Brasil comemorava a conquista da autossuficiência na produção de petróleo.

O início da produção da plataforma P-50, naquela sexta-feira (21/4), em 2006, no campo de Albacora Leste, na Bacia de Campos, marcava a entrada do Brasil no seleto grupo de países autossuficientes em petróleo, ou seja, que produzem mais do que consomem e por isso exportam o excesso de produção.

A bordo da P-50, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva repetiu o gesto de Getúlio Vargas, feito em 1952, molhando as mãos de óleo e imprimindo as marcas no macacão de um funcionário da Petrobras.

“Estamos hoje comemorando uma outra independência”, afirmou Lula, mais tarde, durante cerimônia organizada pela Petrobras no Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro, para marcar a conquista da autossuficiência.

Segundo Lula, a autossuficiência garantia mais estabilidade e segurança econômica ao país, dando ao Brasil uma folga maior para administrar as oscilações dos preços do barril do petróleo no mercado internacional em um momento em que o preço do barril batia recordes no mercado internacional, e abria o país a novas perspectivas de riqueza.

“A US$ 70 o barril [naquele dia, o preço do barril do petróleo batia um novo recorde e chegou US$ 75,17 na Bolsa Mercantil de Nova York] e com as reservas em declínio, a autossuficiência é um formidável triunfo de estabilidade e segurança econômica que a lucidez política adicionou ao nosso querido Brasil”, comemorava Lula.

“Agora, o Brasil está tranquilo e sem medo de choques”

Segundo estimativas de Almir Barbassa, diretor financeiro da Petrobrás, na época, a autossuficiência significava, naquele ano para o país, um superávit de US$ 3 bilhões em 2006 entre exportações e importações de petróleo e derivados da Petrobras.

Barbassa lembrava que, no primeiro choque do petróleo, em 1973, 80% do petróleo consumido no Brasil era importado. Em 1979, na segunda grande crise mundial do óleo, a dependência do país subiu para 86%. “Em 1979, o Brasil quebrou porque pagou mais do que podia com a compra de petróleo. Agora, o Brasil está tranquilo e sem medo de choques”, comemorava.

O atual diretor executivo de Transição Energética e Sustentabilidade da Petrobras, Mauricio Tolmasquim, na época presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), considerava a autossuficiência “a vitória de uma estratégia de política nacional bem-sucedida” e uma vitória da tecnologia.
“Em 1973, por ocasião do primeiro choque do petróleo, o Brasil era altamente dependente do petróleo externo, que impactava enormemente na sua balança comercial – na medida em que o país importava grande parte do petróleo que consumia criando, até mesmo, uma vulnerabilidade grande para a sua soberania. Foi esta constatação que levou a Petrobras a desenvolver um programa de exploração em águas profundas e que hoje está levando o país à autossuficiência “, afirmava.

De acordo com dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), ao longo daquele ano foram exportados 134,3 milhões de barris de petróleo, contra importações de 131,5 milhões de barris. O saldo, que configurou a autossuficiência brasileira, foi de 2,8 milhões de barris de petróleo.

O crescimento das exportações nacionais de petróleo contribuiu de forma significativa para que o país fechasse 2006 com um superávit de US$ 46 bilhões na balança comercial, o maior saldo positivo na história do país, até então.

“Um feito histórico”, afirmou o então diretor-geral da ANP, Haroldo Lima.

Ainda de acordo com a ANP, no ano passado o Brasil exportou 581,8 milhões de barris de petróleo, contra importações de 105,9 milhões de barris. Um saldo de 475,9 milhões de barris de petróleo.

Trending

Descubra mais sobre Blog do Desenvolvimento

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading