“A garantia de que as riquezas de petróleo e gás nos tragam desenvolvimento é uma agenda política que precisa ser reforçada”, afirma o maranhense Allan Kardec Duailibe. Ex-diretor da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíves (ANP), Allan Kardec é hoje um dos mais requisitados palestrantes brasileiros quando o assunto é a defesa da exploração da Margem Equatorial Brasileira. Um dos autores dos estudos sobre as riquezas energéticas na região, ele tem sido uma espécie de embaixador do tema com argumentos que incluem o combate à pobreza ou preservação ambiental a partir dos recursos com as operações.

A exploração de petróleo nas Bacias Pará-Maranhão e Barreirinhas, que integram a Margem Equatorial brasileira, representaria, de fato, uma nova e promissora fase econômica para o Maranhão?

Sim, o Maranhão pode iniciar, com a Margem Equatorial, uma nova fase, que pode ajudar o Brasil a não entrar em novas crises econômicas nas próximas décadas. O brasileiro, em geral, tem uma expectativa de resolver as coisas no dia seguinte. Nós temos que pensar no futuro de 10, 15, 20, 30 anos como fazem os orientais, como fazem os países mais antigos. Existe, sim, a possibilidade concreta de termos riquezas e só riqueza combate pobreza. E são justamente as riquezas da Margem Equatorial, das Bacias Pará-Maranhão e de Barreirinhas que vão resgatar o estado e ajudar o Brasil a não ser importador de petróleo, como foi no passado.

Como garantir que as riquezas petrolíferas se transformem também em desenvolvimento?

Esse é um trabalho político. A gente não pode esperar que o mundo venha nos “servir” gratuitamente sem o embate, sem uma luta política. A garantia de que estas riquezas nos tragam desenvolvimento é uma agenda política que precisa ser reforçada.

Além de riscos ao meio ambiente, os ambientalistas alegam que o país ampliou suas reservas para o maior nível, em 2023, sem precisar da exploração. Como contrapor esses argumentos?

Na verdade, esse argumento é equivocado. Não há, como eu afirmei, combate à pobreza sem ampliação da riqueza e, tampouco, combate aos crimes ambientais sem ter recursos para isso. E, menos ainda, a preservação ambiental sem verbas. Existe uma ilusão de que a preservação vai acontecer naturalmente se deixarmos do jeito que está: não! O povo tem fome! O que nós precisamos é ter um país soberano para financiar sua população.

Em suas palestras, você vai contra a corrente e não adota o conceito de “transição energética”, mas de “diversificação energética”. Isso significa que o planeta não vai substituir os combustíveis fósseis como preconizam todos os acordos climáticos?

Nunca houve transição energética na história da Humanidade. E nem parece que haverá porque o conceito, o significado de transição é binário e excludente: morte x vida, sol x chuva, claro x escuro. Isso não está acontecendo. Pelo contrário, a cada dia verificamos o surgimento de uma nova fonte energética, pela demanda monumental de energia hoje pela sociedade, inclusive com o surgimento da inteligência artificial no nosso dia a dia. A transição energética não é pauta científica, ela é fundamentalmente política e tem de ser tratada nesse fórum, porque ela, equivocadamente, preconiza o “fim dos combustíveis fósseis”. Ora, os países ricos não cumprem os acordos climáticos e, mais ainda, muitos deles oferecem ajuda à nossa Amazônia utilizando os recursos oriundos da exploração de petróleo em suas terras e mares. Defendo que o Brasil tenha pauta e agenda própria, soberana e firme, afinal temos a matriz energética mais diversa e mais limpa do planeta! O Brasil está onde o mundo gostaria de estar em 2050. Precisamos avançar no combate à desigualdade e impedir o avanço da fome!

A nomeação de Magda Chambriard como nova presidente da Petrobras sinalizaria que a exploração na Margem Equatorial vai avançar?

A Magda é desenvolvimentista, é nacionalista. Entende muito bem das defesas do Brasil e de suas riquezas, não só do petróleo e biocombustíveis, como o etanol e o biodiesel de soja. A Magda sabe que o Brasil tem que depender de si próprio e não de outros países.

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